• Me Engana Que Eu Gosto:  Por Que Mentimos na Hora da Conquista?
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    Por Que Mentimos na Hora da Conquista?


    Já parou pra pensar em quantas mentiras você contou desde que acordou hoje de manhã? Já falou “bom dia” pro vizinho que detesta? Disse para o antigo colega de faculdade que estava “tudo bem”, mesmo sua vida estando uma merda quando ele perguntou o simpático “como vai”? Elogiou o novo corte de cabelo da sua sogra mesmo tendo achado que ficou parecendo um ninho de joão-de-barro? Mandou um muito obrigada e disse que adorou as calcinhas e meias cafonas que a sua tia Odete te mandou de presente de Natal? Disse que amou o “Cinquenta tons de cinza” que ganhou no amigo secreto da firma mesmo achando um insulto ao BDSM? Falou pra sua namorada que aquela gororoba que ela perdeu a manhã inteira para fazer de almoço tava uma “de-lí-cia”?

    Essas “mentiras brancas” – do inglês white lies – fazem parte da nossa vida desde crianças, quando somos ensinados que há mentiras inofensivas que “não fazem mal” e nos ajudam no trato social. Ou seja, mentimos desde que nos entendemos por gente. E entre uma mentirinha aqui e outra lá, nós, seres humanos animais racionais donos do polegar opositor, fomos espertos o suficientes para levar essas pequenas doses de ilusão na área da paquera. Se “mentiras sinceras” te interessam ou não, isso não vem ao caso, o que importa é você aprender a conviver com mentiras – sinceras ou não – porque elas estão por toda a parte, e quando o assunto é sexo então, aí é que tudo desanda.

    São inúmeras as mentiras que as pessoas contam desde o momento em que se conhecem até a primeira transa. Tem gente que conta feitos invejáveis, que inventa aventuras com ex-namoradas, que mente sobre o próprio corpo, que faz promessas falsas sobre o famoso dia seguinte, mente sobre tamanho das suas partes baixas, inventa que é suuuper viajado, adquire até um sotaque charmoso fake, mente o endereço ou a profissão – ou os dois -, banca a cheia de pudores (que não engole esperma, não dá de quatro, não faz anal), oculta as experiências sexuais que já teve e arredonda para um número bem mais abaixo que o real, ou então fantasia: inventa orgias alucinantes, orgasmos múltiplos incontáveis… Há quem que defenda a mentira como um atalho para a cama – e aí entra o tal do marketing pessoal, que muitas vezes é mentiroso – ou como uma maneira de “agradar” o parceiro – tipo, vou fingir que gozei porque sei que ele sente prazer ao saber que me dá prazer.

    Acredito que esse lance de as mulheres bancarem a difícil e enrolarem o cara – quando na verdade o que elas mais querem é dar loucamente – não deixa de ser uma mentira e também pode ser levado como um incentivo às mentiras masculinas na hora da paquera. A mentira então vira uma das armas mais usadas nesse já enraizado jogo de conquista no qual o papel da mulher é recusar de todas as formas possíveis para assim ser “valorizada” perante os olhos masculinos que, diante de sua recusa, ficam ainda mais tentados e instigados a conseguir esse “troféu”. Aí é que entram as mentiras. A fim de impressionar e conquistar o tão cobiçado troféu os caras inventam de tudo no maior estilo “tudo o que eu fiz foi lindo, mas foi só pra te comer”. Já na cama são elas que levam a “vantagem” por terem mais facilidade em mentir sobre o prazer, considerando que fica impossível para um cara fingir uma ereção.

    Entendo um pouco o lado dos mentirosos, parece que quando você se veste com uma mentira fica mais fácil de conduzir uma conversa, porque não é você “de verdade” o responsável por tais falas. É como um escritor quando cria um pseudônimo ou alter ego a fim de se sentir mais à vontade para escrever sobre determinados temas. Tem horas que a mentira liberta. Você entra na pele da persona inventada e, apesar de contar uma falácia, vejo verdade saindo pelas frestas das suas palavras, porque quando você inventa uma vida que pode ser apagada a qualquer momento, seu discurso é limpo de pudores ou repressões.

    Independente de mentiras ou verdades, nesse jogo de conquista você nunca sabe com quem realmente está se envolvendo até provar o primeiro pedaço.


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