• O segredo das relações felizes está em aceitar  o homem e a mulher que existem dentro de nós
  • O segredo das relações felizes está em aceitar


    o homem e a mulher que existem dentro de nós


    Provavelmente você já ouviu falar em ying/yang, mas provavelmente não tem ideia de como esses fatores afetam diretamente a forma como você se enxerga, e principalmente os relacionamentos que desenvolve com outras pessoas. A raiz do fracasso de seus relacionamentos pode estar diretamente ligada ao lado feminino e masculino que todos nós temos, independente do sexo.  

    É fato que todos temos energias masculinas e femininas.  O aspecto feminino é o eu intuitivo. A parte mais profunda e sábia que existe entre nós. É o aspecto receptivo, a nutrição, a sensibilidade, emoção, o cuidado.  O aspecto masculino é a ação – nossa capacidade de fazer coisas no mundo físico – pensar, falar, movimentar os nossos corpos, solucionar problemas. O nosso lado feminino capta a energia criativa universal, e o masculino a expressa no mundo através da ação – temos assim o processo criativo. Um exemplo:  uma mãe pode sentir uma repentina preocupação pelo seu filho (um aviso do seu feminino interior), correr para outra sala e tirar a criança de perto de um forno quente (ação empreendida pelo masculino). Isso não tem nada a ver com machismo ou feminismo, e você vai entender porquê.  

    O fato de que temos essas duas identidades acabou sendo negligenciado durante séculos. As mulheres acabaram se tornando o símbolo da energia feminina. Tradicionalmente elas desenvolveram e expressaram a receptividade, a nutrição, a intuição, a sensibilidade e a emoção. Até certo ponto, elas reprimiram a auto-afirmação, a ação direta, o intelecto e a capacidade de funcionar com eficiência e força no mundo. Da mesma forma, os homens se tornaram símbolos da energia masculina. Tradicionalmente, eles desenvolveram sua capacidade de agir no mundo diretamente, com força, segurança e agressividade. Desenvolveram seu intelecto e em geral reprimiram e negaram sua intuição, seus sentimentos emocionais, sua sensibilidade e sua necessidade de proteção.

    Isso fez com que muitas pessoas se tornassem somente “metades”, absolutamente dependentes da outra metade para poder existir. Como não podemos viver no mundo sem a interação completa das energias masculinas e femininas, cada sexo tem andado dependendo um do outro para a sua sobrevivência. Há um conceito errôneo de que os homens precisam desesperadamente das mulheres para lhes proporcionar alimentação, sabedoria intuitiva, e apoio emocional; e que as mulheres dependem dos homens para protegê-las e para cuidar delas no mundo físico. Isso poderia ser um acordo muito prático e eficiente, se não fosse um problema: se como indivíduo você não se sente inteiro e acha que a sua sobrevivência depende de uma outra pessoa, então você sempre terá medo de perdê-la. Assim, a vida se torna um estado constante de medo, na qual a outra pessoa é somente um objeto para você. Você controla essa fonte a qualquer custo – seja diretamente, pelo uso da força e superioridade, ou indiretamente utilizando vários tipos de manipulação. Isso acontece de forma sutil mas está presente em vários relacionamentos, como um acordo invisível e nocivo:  “Eu te dou tudo aquilo que precisa, de modo que você dependerá tanto de mim quanto eu de você, e assim você continuará me dando aquilo de que preciso.” 

    Assim, muitos relacionamentos se baseiam na dependência e na necessidade de controlar o outro, e no absoluto medo do abandono. Inevitavelmente, isso leva ao ressentimento e frustação. Essa é uma das razões pelas quais tantos relacionamentos começam cheios de vida e supresas (“Acho que encontrei alguém que supre as minhas necessidades!”) e acabam com irritações ou destruídos pela monotonia (“O outro não mais satisfaz as minhas necessidades, não vejo mais sentido nessa relação, mas tenho medo de largar pois acho que posso morrer sem essa pessoa.”) 

    Felizmente, nos últimos tempos, os papéis bem diferentes exercidos pelos homens e pelas mulheres começaram a mudar. Não é um processo fácil e nem acontecerá de um dia para o outro. Depois de séculos e séculos de repressão, o processo de voltar a dar voz para o seu masculino/feminino é lento e gradual.  

    As mulheres estão aprendendo a se dar apoio e se valorizar, em vez de tentar conseguir que um homem faça tudo por elas. Para que isso ocorra, as qualidades que as mulheres procuravam nos homens devem ser desenvolvidas dentro delas mesmas. A fórmula é simples – tratar a si mesmo como gostaria de ser tratada por um homem. O melhor é que quando você alimenta o seu lado masculino interior, sempre haverá na sua vida homens que irão refletir isso – ou seja, quando você realmente desiste de tentar obter algo fora de si mesma, acaba conquistando aquilo que sempre quis.

    Com os homens acontece o mesmo. Eles vêm de uma transição, na qual se sentiram secretamente desamparados, sozinhos e vazios, embora fingiam estar sempre tudo bem pois a eles não era permitido demonstrar qualquer sinal de fragilidade. Os homens da nova geração, tem se permitido obter as qualidades que antes se esperava somente encontrar nas mulheres – carinho, suavidade, força, sensibilidade, beleza, etc – dentro deles mesmo, alimentando seu lado feminino interior. E isso não tem absolutamente nada a ver com orientação sexual.  Eles têm permitido que a energia masculina flua com espontaneidade, sabendo que a força do lado feminino está sempre presente, orientando-o com sabedoria.  Assim, eles começam a perceber que quando dão espaço para seu lado feminino agir, passam a atrair mulheres que espelham essa integração, tendo finalmente tudo aquilo que sempre buscaram, mas que nunca conseguiam alcançar.

    Com isso, vamos observar cada dia mais, relacionamentos feitos de inteiros, e não de metades. Cada pessoa é um todo em si, e cada pessoa tem o poder de ter um lado feminino e um lado masculino plenamente equilibrados, e essa consciência é absolutamente libertadora. Precisamos finalmente deixar que a nossa intuição nos oriente e depois precisamos estar dispostos a seguir essa orientação diretamente e sem medo. Quando conseguirmos entender que a união das forças masculina e feminina dentro de nós nós torna muito mais completos, então estaremos prontos para buscar relacionamentos que não se baseiam na necessidade e no medo, mas sim na paixão e na vontade de compartilhar bons momentos juntos nessa jornada.

    *os conceitos desse texto foram inspirados nos ensinamentos de Shakti Gawain.


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