• Sobre Travesseiros E Amores Mal Resolvidos
  • Sobre Travesseiros E Amores Mal Resolvidos


    Final de semana badalado. Sorrisos, abraços, diversão. Gente bonita, gente feia. Gente interessante, gente inconveniente. Tudo aquilo que você não fazia há tempos. Tudo bem, faz parte. Depois de uma cerveja e outra e outra e outra, você acha tudo um máximo. Tudo perfeito. Até chegar a segunda-feira.

    Ah, a segunda-feira. Temida e odiada por todos. Você se lembra do final de semana e pensa: “Pelo menos valeu a pena!”. Será que valeu a pena mesmo? Será que é isso mesmo que você pensa quando coloca a cabeça no travesseiro? Ah, o travesseiro! Ele, sim, sabe a resposta. Ele sabe, porque todas as noites responde às suas perguntas. Toda vez que as lembranças vêm na sua cabeça, você pergunta pra ele – por quê? E sabe por quê? Porque o cheiro ainda está ali. Porque quando você se sente sozinho, é ele que te acolhe. Porque no fundo, todos sabem que o refúgio está nele – e não na balada do final de semana passado.

    O travesseiro te responde como era bom curtir uma noite tranquila em vez de uma loucura de momento. Ele ta aí pra isso mesmo. Pra te mostrar que enquanto você estiver nessa angústia interminável, nada vai valer à pena. Você levanta, fuma um cigarro, deita de novo e percebe que está sendo vítima da insônia mais uma vez. E é nessa hora que o menino chora e a mãe não vê. E chora mesmo, até soluçar. E quem é que ta ali pra enxugar o seu rio de lágrimas? Ele mesmo, o travesseiro. Um dia, todo mundo vai embora. Menos ele.

    Coloca aquela música, que é pra incrementar o momento. Tempo Perdido, Legião Urbana, uma boa pedida, né? Também acho. Eu sei como é o fim da noite. Você abraça e aperta o travesseiro, porque agora ele é grande demais. Tá sobrando um lugar ali. E de repente você solta: “Somos tão jovens”. E somos mesmo. Somos tão jovens pra pensar que tudo foi tempo perdido, porque no fundo, com a cara enfiada no travesseiro, você sabe que não foi.

    Amores mal resolvidos. É essa a resposta para a sua dor. O remédio? Jogar o travesseiro fora. Ele está velho, e o perfume de quem se deitava com você todas as segundas-feiras já se foi. É você quem insiste em ficar procurando o tempo todo. Por mais que a sua vontade seja que o cheiro volte e que o dono do cheiro volte pro lugar que agora sobra na sua cama, joga fora esse travesseiro, menina. E com ele, um pouquinho da sua dor. Da sua insônia. Da sua angústia. Joga fora porque pode ser que o dele já tenha sido trocado há tempos por um que não lembre mais você nem o seu cheiro.

    Mas se algo em você diz que ainda vale a pena insistir, bota a música no repeat. Nem foi tempo perdido, somos tão jovens. Pode ser que ele ainda procure por você antes de dormir, pode ser que ele ainda sinta falta do seu jeito de dizer boa noite. Pode ser que o seu lugar na cama dele continue vazio. E que jogar o seu travesseiro fora não seja a saída mais inteligente. Afinal, com ele se vai o cheiro dele, mas o seu também. E um pouquinho da sua história. E um pouquinho das suas angústias. E um pouquinho daquilo tudo que faz de você o que você é hoje.

    Agarra esse travesseiro, menina, porque você só vai descobrir que o ama mesmo quando deitar em outro e perceber que não está tão confortável assim. E que só o seu te faz dormir melhor.

    Dedico este texto ao dono do Body Kouros, que me fez procurar outro travesseiro. E me mostrou que não adianta trocar, se você ainda não esqueceu do conforto do outro.


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