• Bad timing: quando a pessoa  certa chega na hora errada
  • Bad timing: quando a pessoa


    certa chega na hora errada


    Um bar, uma balada, um café, um parque. Você nota alguém diferente. Você percebe alguém que salta no seu campo de visão sem convite prévio. Alguém que te faz perder o rumo, o chão, o ar. Alguém que faz parecer que deram um blur no resto das pessoas ao redor que do nada ficaram em tom sépia e em volume mais baixo. Vocês trocam olhares. Você arrisca um “oi”. Você troca ideia com a pessoa e os dois percebem que existe algo. Rolou! Choque, faísca, química, ligação, explosão. Rolou! Vocês trocam whatsapp, mensagens, suspiros, canções, beijos, taras, roxos, madrugadas, roupas, guiltypleasures, besteiras. Há um entendimento em nível avançado. Você sente, ele sente. E, quando tudo se encaminha pra chegar num nível mínimo de intimidade, quando você já tá pensando em deixar uma camisa extra no armário alheio, acontece o fim prematuro da relação que poderia ter sido o que não foi. O que te resta? Ficar imaginando o que aconteceria se as circunstâncias tivessem sido mais propícias. A pessoa em questão é praticamente uma desconhecida, mas você ama a ideia de quem é ou poderia ser. Quem nunca?

    “Se vocês têm química, só precisam de mais uma coisa: timing. E o timing é uma vadia!”. O conselho de Robin Scherbatsky é simples e certeiro. O tal timing é a relação do indivíduo com o tempo/espaço, a situação em que algum fato acontece e a reação que ele provoca em um contexto específico. Ou seja, você pode dar sorte e ser o cara que está no lugar certo na hora certa (=timing perfeito!), ou ser vítima do bad timing e culpar a Lei de Murphy. O bad timing é um dos motivos pelos quais, às vezes, só o amor ou a paixão não são o suficiente. A vida é cheia de encontros e desencontros e, além de química e atração, para um relacionamento dar certo é fundamental que as duas pessoas estejam no mesmo momento de vida.

    Às vezes você tá com foco total no trabalho e sem tempo, terminou um relacionamento e ainda não se desapegou do ex, às vezes você acordou ranzinza, já se machucou demais com o amor e se sente intimidado por alguém que vem com muita sede ao pote ou apenas está em um ritmo diferente do seu. Esses são exemplos de situações que nos deixam sem energia mental pra nos comprometer com outra pessoa de uma forma que acrescente um significado e valha a pena para ambos. Sabe quando você tá um caco emocional e não quer arrastar ninguém mais pra junto desse seu buraco negro sentimental? Algumas pessoas precisam de um tempo pra trabalhar suas necessidades antes de tentar encaixar outra pessoa em uma situação que pode não precisar de outra pessoa. Aquele momento de vida em que fechamos pra balanço e vestimos a plaquinha de emocionalmente indisponível.

    Tem gente que não acredita em bad timing e se recusa a aceitar esse empecilho: cisma em forçar a entrada em janelas fechadas e colocar correntes e cadeados em portas escancaradas porque acha que isso não passa de uma desculpa esfarrapada. O bad timing pode até ser uma desculpa, mas acredito que seja uma desculpa consciente, uma escolha mesmo do tipo: “eu realmente acho que a gente poderia ser ótimo juntos, mas não agora”. É uma merda? Claro que é! Imagina o tanto de pessoas incríveis que poderiam ter se encontrado e construído algo legal se não fosse o maldito timing. Inclusive, pra punir esse mal, de madrugada, o fantasminha do bad timing vem puxar o pé da cama de quem já dispensou pessoas maneiras e assombrar seus sonhos com doses de arrependimento e pensamentos inapropriados de como poderia ter sido o relacionamento desperdiçado.

    Na era do amor líquido, em que desfazemos camas alheias com a mesma facilidade que vemos relacionamentos se desfazer e escorrerem por entre os vãos dos dedos, como lidar quando a química rolou, mas o timing não? O jeito é aceitar que dói menos! Infelizmente, tem coisas na vida que fogem do nosso controle. Então a nós, meros mortais, resta nos conformarmos e aceitar as coisa que rompem os limites da nossa responsabilidade, preparar o coração pra ficar sempre atento a novos ventos e torcer para o cosmos nos separar boas surpresas.

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