• Não adianta implorar amor
  • Não adianta implorar amor


    Amar é uma delícia, mas para o verbo ser completo ele precisa de reciprocidade. Aquela sintonia gostosa que acontece de graça quando a nossa autoestima encontra o livre arbítrio de alguém. Não interessa se o seu sentimento ao longo dos anos só amadureceu, se o gostar cresceu, se o desejo de continuar caminhando lado a lado arde cada vez mais dentro do peito dia após dia. Se o olhar que antes era só seu começou a se desviar, se o progresso do afeto não acompanhou o seu compasso, se você começa a oferecer mais do que recebe, sinto muito, esse relacionamento deixou de ter um sentido.

    Infelizmente, não existe muita coisa que possa ser feita quando o sentimento que nutrimos por alguém não é mútuo. Amar é uma via de mão dupla, se o outro não pisca o farol para você na contramão a única alternativa é mesmo continuar o caminho sozinho (a). Quando um término repentino acontece ou quando a pessoa do nosso bem querer diz não para as nossas investidas a gente pode até tentar conquistar aquele coração que não está no nosso timing. O perigo é não saber a hora certa de parar de persistir. Se o flerte inocente vira insistência a gente não só se torna persona non grata, como também perde os limites do amor próprio.

    É chato demais gostar de alguém e não ser querido de volta. Dói, machuca, a gente fica se perguntando o porquê da rejeição, inventa desculpas para acalmar a ansiedade, busca maneiras de se adaptar ao que o outro espera do amor e quando menos se espera estamos loucos. Completamente alucinados. A grande verdade é que você pode se doar e se doer por inteiro e do avesso, se a química não bateu não tem santo que atice a faísca. Você pode chorar, se debater, fazer guarita na porta da casa dela, enviar milhares de flores e chocolates, prometer mundos e fundos, que nada, absolutamente nada vai brotar uma florzinha na janela da vontade dela.

    O ponto chave é entender que o nosso limite termina onde começa a liberdade do outro. Tem gente que de tão insistente começa a ser evitado, temido, desprezado. A pessoa toma “irc” mesmo e chega uma hora que a própria presença do outro se torna tão desagradável que ela não consegue nem dividir um ambiente de bar. Bom senso é essencial neste momento. Pode ser que tudo que a relação precisa seja um tempo, pode ser que seja apenas uma fase, como também pode ser que tenha sido uma mudança definitiva de sentimentos. Acontece, fim. Aceita, desapega e bola para frente. Ficar se iludindo não vai modificar a situação, tentar fazer diferente para uma nova história sim.

    A gente precisa parar de “cismar” com os outros e de atribuir uma frustração que é inteiramente nossa para a outra pessoa. Se você se bloqueou internamente e não consegue se relacionar com ninguém que não seja ela, se acredita que ela é insubstituível e nunca mais vai amar tanto uma pessoa como a ama, se fica comparando todo mundo que cruza seu caminho com aquilo que você já viveu, se ninguém é bom o suficiente para você a culpa de não seguir adiante é sua e tão somente sua. Uma análise profunda da nossa posição perante a situação é fundamental.

    Amor é uma dessas gentilezas da vida que a gente não precisa correr uma maratona olímpica para conseguir viver. Ele tem que ser simples, fácil, acessível, descomplicado e, acima de tudo, de boa vontade. Esse mito de “eu vou lutar pelo amor de fulano” não existe. Ou rola uma empatia ou não rola, não existe meio termo. Mesmo em relações desgastadas se a vontade é de resgatar a parceria o esforço é conjunto, não tem essa de um batalhar mais do que o outro. A palavra de ordem é discernimento. Aprender a ler os sinais e respeitar o espaço do outro. Não é não. Desapega, joga para o universo e se permita esbarrar em um sim de verdade. Migalha só engana o estômago até a próxima refeição e cheque sem fundo não compra banquete. Quando se trata de amor só vale pagamento em dinheiro, caso contrário, fiado só amanhã.

    danielle-assinatura


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