• Vai lá, cara – diz que ama a moça
  • Vai lá, cara – diz que ama a moça


    Quando eu tinha quinze anos, me apaixonei pela primeira vez. Era um menino da minha sala, que sentava bem atrás de mim. Como eu nunca tive capacidade de ler mentes, não tinha como saber se ele sentia o mesmo. Então sem nem pensar duas vezes, chamei o menino no falecido MSN e sem enrolar muito escrevi que gostava dele. A resposta que recebi foi “Eu te acho muito legal, mas eu gosto da Fulana”. Não foi um dos melhores momentos da minha vida, mas depois de receber essa resposta eu só tinha uma coisa para fazer: seguir em frente. Chorei um pouquinho, fiz um draminha adolescente, parei de comer, de estudar, fiquei de recuperação, mas eventualmente a vida continuou e eu esqueci meu primeiro amor.

    Aos quinze anos eu fiz uma coisa que muitos de nós, na vida adulta, não conseguem fazer. Nós temos tanto medo de encarar uma possível decepção que nos escondemos atrás mensagens cifradas no mundo digital, onde seguir uma pessoa no instagram deveria ser entendido como claro sinal de interesse e perguntar alguma coisa por inbox e receber a resposta via whatsapp também tem uma interpretação oculta (parece que é uma coisa boa). E quase enlouquecemos com o emoji das bonequinhas dançando que só pode significar que a pessoa está interessada, ao que respondemos com um macaquinho tampando a boca (obviamente um “eu te amo” velado). Assim vamos nos iludindo e nos enganando, para não termos de encarar uma realidade que talvez não seja favorável às nossas expectativas. Afinal de contas, se eu nunca encostar a pessoa contra a parede não corro o risco de ouvir o que não quero.

    Entendo o medo que dá ser sincero assim, afinal você está dando a cara a tapa e pode receber de volta um beijo na bochecha ou um tapa violento que vai fazer sua cabeça girar sobre o pescoço. Falar um “eu te amo” para alguém, sem saber o que a outra pessoa vai responder, faz a gente se sentir mais exposto do que ir pelado para o trabalho. Eu mesma, que me sai tão bem na adolescência, não consegui repetir esse ato de coragem em todos os meus relacionamentos.

    E às vezes em que eu não consegui falar como me realmente sentia foram as situações em que mais sofri, pois como eu achava que a outra pessoa não sabia o que eu sentia por ela, eu podia fica arrumando desculpas para tudo que dava errado e todos os desencontros das nossas vidas. Mas a verdade era mais simples: aquilo não estava dando certo porque a outra pessoa não gostava de mim. E se eu estivesse escutado um “Eu te acho legal, mas não gosto de você desse jeito” logo no início teria evitado muitos momentos ruins nesse percurso.

    É como uma tragédia grega: às vezes, tentando evitar o sofrimento, acabamos nos causando mais mal ainda. Mas nem sempre o que vamos receber é a pior resposta possível. As pessoas podem nos surpreender. E quem sabe quantas vezes um despretensioso “eu gosto de você” não vai receber um “eu também gosto muito de você” de volta? Recentemente voltei para o módulo corajosa (ou sem filtro, chame como quiser) da minha adolescência. E levar a vida na sua versão simples tem sido muito melhor.

    Positivo ou negativo, o mais importante é que você tem o direito de saber a verdade. E não tenha medo. O “não” você já tem. Você já está vivendo na situação negativa, onde você não tem essa pessoa ao seu lado. A pior hipótese é continuar vivendo assim. E a melhor é receber um “eu também te amo/gosto de você/quero namorar com você”. Não pode ser tão ruim assim, não é?

    O mundo por si só já é muito confuso, você não precisa complicar mais ainda a própria vida. Respire fundo e vá em frente. Não importa o que vai acontecer daqui adiante: conseguir o que você tanto desejou ou seguir em frente para novas descobertas. Essas duas já são as melhores opções para sua vida. Descomplique.

    andrea


    " Todos os nossos conteúdos do site Casal Sem Vergonha são protegidos por copyright, o que significa que nenhum texto pode ser usado sem a permissão expressa dos criadores do site, mesmo citando a fonte. "