Eu ouvi a sua voz antes de dormir e antes mesmo que eu percebesse, um sorriso quase patético já estava na minha cara. Está tudo na minha cara, aliás. É ridículo. Está na minha cara que você me ganhou antes mesmo de concorrer e você sabe.

Você sabe que eu quero te ver de novo por muitos dias da minha vida. Você sabe que, agora, eu quero você presente em todos os meus aniversários.

Que papelão. Eu não consigo disfarçar que você me desarma. E que seus olhos são meus dois pedaços de felicidade. Você sabe que eu não sei lidar com o seu riso fabuloso. Você sabe, pra você eu até criei novos adjetivos nesse meu vocabulário pobretão.

Quem ainda usa “fabuloso”? É cafona. Tão cafona quanto eu me sinto agora.
Eu tive medo de me encantar por você, e quando você tem medo de se encantar por alguém, quando você pensa sobre isso por dias inteiros, eu receio que você já esteja encantado.

Eu só queria continuar seguindo confortavelmente, eu queria o meu coração tranquilo de novo, mas, puta que o pariu, você já me desestabiliza. E sabe o que é pior? Você sabe.

Você sabe que me ganhou. Você me chama e, aí no fundo, você sabe que não precisa pedir duas vezes: por você eu vou. E quando você faz piada de tudo – as melhores e as mais infames – você sabe que eu vou rir.

Eu só queria ter seguido com meus projetos que nunca caminham e com a minha agenda que é sempre uma bagunça e com o meu tapete cheio de cinzas de cigarro, mas você veio e me levou pra perto.

Eu queria ter continuado sendo louca sozinha, mas agora não dá mais. A minha loucura encontrou a sua e elas não se largam.

Você bem que poderia ter ficado no seu canto. E me ligado de vez em quando só pra me dizer que continua vivo, mas sem trazer esses dentes tão brancos pra tão perto da minha cara de besta. Não olhe desse jeito, demorando esses olhos lindos nos meus olhos bobos, assim você dificulta essa minha vida que já não anda fácil.

Facilita. Faz umas caretas ou uma piada machista. Diz que acredita em meritocracia, porque aí é certo que eu vou sumir. Fala que os filmes de Tarantino são os piores que você já viu e que você acha Chico Buarque um merda. E para de me beijar tão devagar e de dizer que queria congelar o tempo quando estamos juntos.

Para com essa mania de ser tão você porque, logo agora que eu descobri que é você, é difícil ser eu. E é você. É você que me deixa tão patética e tão piegas e tão leve e tão escandalosamente feliz.

E as minhas deadlines? E a minha autossuficiência? E todos os outros que eu ainda queria conhecer? Agora é meio tarde. Eu não quero conhecer mais ninguém.

Tá rindo, né? E a minha imagem durona, onde fica?
Puta merda, eu me apaixonei.
Vem logo.

ass-nathalie


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